200 Anos da Academia Real Militar e 150 anos do nascimento de Paulo de Frontin
O ano de 2010 apresentou extrema significação para a Escola Politécnica da UFRJ. Nele completaram-se os 200 anos de criação da Academia Real Militar e os 150 anos do nascimento de André Gustavo Paulo de Frontin. Embora as existências da Academia Real Militar e de Paulo de Frontin tenham ocorrido em épocas distintas, há um forte elo de ligação entre esses personagens: a própria Escola Politécnica. A origem da Escola Politécnica remonta à Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, criada no Rio de Janeiro em 1792. Em 1810 a Academia Real Militar a sucedeu, ampliando e aprofundando os seus cursos, dando-lhes conteúdos mais científicos. Após inúmeras transformações, passando de caráter militar para civil em 1874, hoje a Escola Politécnica da UFRJ a sucede em linha direta e contínua. E foi exatamente em 1874 que Paulo de Frontin ingressou na Escola Polytechnica. Foi aluno, professor e seu Diretor. Teve atuação destacada no exercício da profissão, na vida pública e em entidades associativas. Atuou em vários campos da engenharia, notadamente na área ferroviária, ocupou inúmeros cargos importantes, entre eles o de Senador da República e Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. É considerado o Patrono da Engenharia Brasileira. Nesse sentido, a Associação dos Antigos Alunos da Politécnica deixa registradas textualmente efemérides tão significativas da história da Escola Politécnica da UFRJ. A Academia Real Militar A Academia Real Militar foi instituída por carta régia de D. João VI em 04 de dezembro de 1810. Além de receber alunos e professores da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, a Academia Real Militar iniciou suas aulas no mesmo prédio que era utilizado pela academia anterior e onde, na época, funcionava a Casa do Trem. Hoje esse edifício faz parte do conjunto do Museu Histórico Nacional. Em 1812 as aulas foram transferidas para o Largo de São Francisco de Paula. Deve-se a D. Rodrigo de Souza Coutinho, o Conde de Linhares, ministro plenipotenciário de D. João VI, a iniciativa de criar a Academia Real Militar. Para ele, era preciso assegurar o território brasileiro, com suas riquezas, para o reino português. Residia aqui o futuro e o progresso de Portugal. Era necessário saber defender essas terras e, mais do que isso, saber explorá-la em bases científicas. É inegável que a Academia Real Militar exerceu papel fundamental para a consolidação do processo de ensino e aprendizagem da engenharia entre nós. Sua concepção foi singular no cenário técnico cultural brasileiro da época, propondo-se a ensinar as mais modernas técnicas militares e científicas então existentes no mundo. Em decorrência da sua criação, podem-se apontar diversos aspectos considerados originais no ensino de engenharia no Brasil: a obrigatoriedade dos lentes em preparar um compêndio para o seu curso, a concessão de prêmios anuais aos melhores alunos e a formação de engenheiros geógrafos e topógrafos. O brasileiro André Gustavo Paulo de Frontin Paulo de Frontin nasceu no Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1860. Estudou no Colégio Pedro II e, em 1874, ingressou na Escola Polytechnica. Em 1880 foi aprovado em primeiro lugar no concurso para Lente Catedrático da cadeira de Mecânica Aplicada. Colaborou com Pereira Reis, Galdino Pimentel e Buarque Macedo na instalação do Observatório Astronômico no Morro de Santo Antônio, de modo que ali fossem realizados os estudos práticos de Mecânica Celeste. Foi o Diretor da Escola que por mais tempo permaneceu no cargo, de 1915 a 1930. Presidiu o Clube de Engenharia de 1903 a 1933. Em 1889, quando a cidade do Rio de Janeiro sofria mais uma epidemia de febre amarela, aliada a uma prolongada escassez de água,
Frontin propôs ao Governo realizar obras emergenciais para regularizar esse abastecimento. O episódio, conhecido por ―Água em seis dias, era considerado inexeqüível por muitos. No entanto, o sucesso da empreitada foi de tal monta, que deu ampla notoriedade a Paulo de Frontin. Na área ferroviária, destacou-se por duplicar a linha da Central do Brasil na Serra do Mar, até Barra do Piraí, sem interromper o tráfego. Levou 17 meses para executar esse trabalho, quando a previsão de outros especialistas era de 5 anos. Na engenharia urbana, a sua empresa ―Melhoramentos no Brasil‖ foi a responsável pelas obras de construção da Avenida Central, hoje Rio Branco. Segundo o Prof. Maurício Joppert, ―Frontin desde os primeiros anos de sua vida mostrou qualidades de decisão, coragem, liderança, certeza de vencer, usando os meios que a engenharia lhe forneceu. Não pensou em outra coisa, além da sua família, senão em ser engenheiro, em conduzir engenheiros, em formar engenheiros, instruindo-os para servirem ao progresso, ao desenvolvimento, à grandeza do Brasil.
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